Defesa do Banrisul, Corsan e Procergs tem o apoio da Famurs

Encontro nesta sexta-feira definiu o dia 25 de outubro como data provável de Audiência Pública sobre manutenção do caráter público das empresas

A realização, ainda neste mês, de uma Audiência Pública a ser convocada pelo gabinete da deputada Juliana Brizola (PDT), visando a defesa do caráter público do Banrisul, Corsan e Procergs, foi o tema de reunião realizada na manhã desta sexta-feira, 04/10 na sede da Famurs. O encontro de organização, em articulação com sindicalistas e representantes municipais, deixou a data de 25/10 como indicativo para a Audiência, em local ainda a ser definido. Eduardo Freire, ex-prefeito de Palmeira das Missões e atual presidente da Famurs, apoia esta luta e lembrou que a entidade realizou assembleia para conscientizar prefeitos e vereadores que compõem a base do governo Leite.

O presidente do SindBancários, presente à reunião, destacou a importância das estatais para a maioria da população gaúcha: “Basta lembrar que em 104 municípios gaúchos, o único banco existente é o Banrisul, pois os privados não querem se instalar aonde não obtêm alta lucratividade”, afirmou Everton Gimenis.

Eduardo Freire foi claro: “Muitos prefeitos não têm uma ideologia definida e apoiaram um candidato que disse que não era político. Agora percebe-se um movimento que tenta desqualificar estatais como a Corsan, mas não se fala que o principal problema é falta de investimento do governo nas obras. Privatizar a água numa cidade grande atrai as empresas privadas. Mas quem quer assumir o saneamento básico aonde não dá lucro?”, questionou.

Prejuízo às comunidades

Já Everton Gimenis reforçou que a participação da Famurs e prefeitos na luta contra a PEC 280, que pretende privatizar o banco e as outras duas estatais, é importantíssima: “Afinal, os prefeitos é que formam a base dos deputados. Eles podem calcular o prejuízo que suas cidades sofrerão se deixarem de ter serviços públicos desta importância”.

Denise Falkemberg Correia, diretora da Fetrafi-RS, que participou da reunião junto com Sérgio Hoff, também diretor da entidade, destacou que é o povo quem precisa decidir a questão das privatizações. “Esta questão da PL 280 vai ser um teste para o estado. O Rio Grande já é um estado mínimo. O RS tem uma dívida de R$ 70 bilhões, mas o Banrisul, por exemplo, vale R$ 10 bi. Aqui é mais uma questão ideológica do que matemática”, concluiu. Hoff reforçou o protagonismo da Famurs no debate e disse que um posicionamento da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul é muito importante para esclarecimento da população.

Corsan em 327 cidades

Leandro Almeida, presidente do Sindiágua, recordou que a atual onda privatista é nacional: “Hoje a única estatal do saneamento que continua pública e inteira é a Corsan. Em Brasília, está em discussão o PL 3261, que praticamente liquida com o saneamento público no país. Aqui continuamos resistindo. No estado a Corsan atua em 327 municípios, mas o serviço só é superavitário em 40. Temos que mobilizar os prefeitos das cidades menores para que o serviço continue público, e para que o saneamento continue”, reafirmou. “E a Famurs é uma trincheira que os interesses populares ainda podem contar”, concluiu Eduardo Passos, também da diretoria do Sindiágua.

Votos

O encontro teve a presença também do assessor parlamentar da deputada Juliana Brizola, Jonatas Ouriques, que encaminhou a possibilidade de realização no próximo dia 25 da Audiência Pública sobre a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 280, visando extinguir a exigência de plebiscito para privatizar o banco estadual, a Corsan e a Procergs. O deputado Sérgio Turra (PP) apresentou a PEC no mês de setembro, garantindo a assinatura de 24 parlamentares. Para ser aprovada, a proposta privatista precisa obter 33 votos na Assembleia Legislativa.

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