Demissões escancaram consequências de metas abusivas

Quase 100 bancários foram demitidos por prática de vendas casadas; este tipo de operação, ilegal, é consequência da cobrança pelo cumprimento de metas

Na quarta-feira (1), após investigação interna, o Itaú demitiu de uma vez quase 100 bancários de agências digitais por prática de venda casada. O movimento sindical avalia que este tipo de venda, ilegal, é consequência direta de uma gestão baseada na pressão cada vez maior por metas abusivas. Para dialogar com os bancários e denunciar o problema, o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região realizou protesto na segunda-feira (6) na maior concentração de agências digitais do banco, na Avenida Paulista, principal centro financeiro da América Latina.

“A cobrança exagerada por metas abusivas obviamente induz ao erro. A gestão do banco, focada na pressão por resultados cada vez mais altos, coloca os bancários contra a parede, sob níveis de estresse altíssimos, trabalhando sempre com a sombra da demissão à espreita. Para alcançar as metas impostas, e assim garantir a permanência no banco, o bancário é levado a cometer erros como a venda casada, que por fim pode custar o seu emprego”, destacou o dirigente do Sindicato e funcionário do Itaú, Sérgio Francisco.

“Durante o ato, dialogamos com os bancários da agência digital que concentrou o maior número de demissões. O clima é de total insegurança e está muito pesado. Esclarecemos estes trabalhadores para que não caiam na armadilha de realizar qualquer operação irregular para bater metas. O que aparenta ser a solução do momento pode custar seu emprego lá na frente. O papel do Sindicato é combater essa cultura institucional de cobrança por metas abusivas, o que é feito durante todo o ano e nas nossas campanhas nacionais. É fundamental que o bancário trabalhe com tranquilidade, evitando assim o seu adoecimento e proporcionando melhor atendimento ao cliente”, acrescentou.

O dirigente relatou ainda que parte dos demitidos tinha em sua posse atestados médicos não apresentados ao banco. “Quando o trabalhador não está em condições de saúde para desempenhar suas funções, com atestado médico, e omite isso do banco por medo de ser demitido ou de não bater metas, isso é chamado de presenteísmo. O adoecimento e o presenteísmo são outras consequências gravíssimas da pressão por metas abusivas”.

De acordo com Sérgio, o Itaú, que lucrou R$ 18,6 bilhões nos nove primeiros meses de 2017, elevação de 13% em relação ao mesmo período do ano passado, deveria contratar mais trabalhadores para reduzir a sobrecarga e mudar sua postura em relação à cobrança por metas.

“Este modelo de gestão prejudica bancários e clientes. O Sindicato cobra uma imediata mudança de postura por parte do banco em relação à cobrança de metas e que os bancários, especialmente aqueles que exercem cargo de gestão, sejam orientados de forma clara e objetiva sobre operações irregulares”, conclui o dirigente.

Denuncie
Caso o bancário sofra qualquer tipo de pressão para realizar vendas casadas – ou outra operação irregular – para bater metas, deve denunciar ao Sindicato de sua base.

Fonte: SPBancários

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