Caixa: de indutora do desenvolvimento a “puxa fila da privatização”

Gestão atual entrega as operações mais rentáveis e encolhe a função social do banco, pavimentando o caminho para sua venda; empregados e sociedade devem defender função pública e social da instituição

De banco público indutor do desenvolvimento econômico e social, a Caixa Econômica Federal está se transformando no “puxa-fila” das privatizações brasileiras. É dessa forma que a instituição vem sendo apontada na imprensa tradicional, após os anúncios de venda das operações mais rentáveis do banco, feitos pela atual direção da empresa ao mercado financeiro. Um exemplo é a manchete da editoria de Economia do jornal O Estado de São Paulo de terça-feira 16: “Caixa puxa fila da ‘redução do Estado’ e avança no preparo de venda de ativos”.

Assine o boletim eletrônico com notícias específicas da Caixa
Faça a sua sindicalização e fortaleça a luta em defesa dos direitos dos bancários

O texto enfatiza as últimas medidas da direção do banco. Além de anunciar a venda de parte das áreas mais rentáveis (loterias, cartões, ativos e seguridade), o banco passou a se desfazer dos ativos de maior liquidez, a participação em outras empresas e fundos. Vendeu sua parte no IRB e agora se prepara para se desfazer de parte da Petrobras.

Privatizando “na surdina”

Na semana passada, para uma plateia de banqueiros e agentes do sistema financeiro internacional nos Estados Unidos, o ministro da Economia, Paulo Guedes, declarou: “Discretamente, sem fazer barulho, já vendemos US$ 12 bilhões”. A afirmação foi feita durante evento organizado pela XP Investimentos. Ele garantiu que, na surdina, o governo já está implementando a venda dos bens nacionais. “Nossa meta é vender US$ 20 bilhões este ano”, disse ainda.

O ministro também deixou claro que se depender do atual governo, o Brasil em breve não terá mais uma empresa estatal de petróleo.

“O governo atual está entregando o patrimônio nacional a preço de banana e isso inclui as operações mais rentáveis da Caixa, encolhendo sua função social com o objetivo de deixar o banco deficitário e forçar a população a desaprovar a atuação da empresa pública”, afirma Dionísio Reis, diretor do Sindicato dos Bancários de São Paulo e coordenador da Comissão Executiva dos Empregados da Caixa.

Dia 26: leilão da Lotex

No dia 26 está previsto o leilão de entrega da Lotex, a parte mais lucrativa das loterias da Caixa. Em 2017, as loterias Caixa registraram, de forma global, arrecadação próxima a R$ 14 bilhões. Desse montante, quase metade (48%) foi destinada aos programas sociais. Se a venda for efetivada, o montante deverá ser reduzido drasticamente, já que o leilão prevê repasse social de apenas 16,7%.

“A real intenção dessa política de sucateamento e encolhimento é a descapitalização completa da Caixa, visando sua privatização. Uma medida que não favorece absolutamente ninguém, com exceção dos bancos privados, que terão ainda menos concorrência em um setor já extremamente concentrado, e que com a eventual privatização ou fechamento da Caixa poderão cobrar juros ainda mais elevados”, acrescenta Dionísio.

O movimento sindical tem feito reuniões e mobilizações em todas as agências e concentrações da Caixa, e tem feito ações com a população em defesa do banco e demais empresas públicas.  “Faremos mais um Dia Nacional de Luta em todo o país no próximo dia 26 e é fundamental que os empregados e a população participem, pois os empregos dos trabalhadores estão em risco”, conclama o dirigente.

“Esvaziar os fundos governamentais, um por um”

A reportagem do Estadão informa que a segunda operação de venda, a de ações da Petrobras, poderá render um volume de recursos de R$ 9 bilhões. Para essa operação, foram contratadas quatro instituições privadas: Bank of America, XP Investimentos, Morgan Stanley e UBS. Tudo será feito a partir dos papéis detidos pelo FI-FGTS, de modo a, segundo texto da reportagem, “esvaziar os fundos governamentais, um por um.” A ideia é aproximar a atuação da Caixa à de um banco de investimento.

“Possuir ações da Petrobras, do IRB e de outras participações acionárias está vinculada com a história de atuação da Caixa e de fortalecimento do setor público. Com a venda dessas ações para o setor privado, tanto Petrobras quanto o IRB passarão a ter função menos pública após a venda da participação do banco”, afirma Dionísio.

A reportagem sobre a Caixa informa ainda que a “desova de ativos” por parte do banco público mira também a abertura do capital da Caixa Seguridade, holding que concentra as operações do setor no banco. Concluída a reestruturação da área, o próximo passo será o IPO da rede de loterias, a depender do trâmite regulatório.  O de seguros vem na sequência, seguido pelo de gestão de recursos e pela operação de cartões. Serão vendidos ainda imóveis e agências por todo o país. “O resultado dessa política de redução da Caixa será o fechamento de postos de trabalho e de agências e a diminuição do seu papel social”, segundo o jornal.

O coordenador da CEE/Caixa enfatiza a importância de os empregados e a sociedade defenderem a Caixa e as demais empresas públicas: “Empresas públicas são fundamentais para o desenvolvimento social e a soberania social. Entregá-las ao capital privado é um crime de lesa-pátria que deve ser combatido a todo custo pela sociedade, que será prejudicada com a piora e o encarecimento dos serviços privatizados”, ressalta Dionísio Reis.

COMENTÁRIOS

Enviar

ENVIAR COMENTÁRIO

Para enviar um comentário você deve se registrar. Para isso use sua conta do Facebook.

ENTRAR COM FACEBOOK

ou se preferir use seu email pessoal

Esqueceu sua senha?

Enviar