Incidentes graves levam à suspensão da reforma previdenciária na Argentina

Congresso debatia mudança legislativa mais importante e polêmica do presidente Macri

A Argentina volta a uma das suas mais arraigadas tradições: a rua manda na política. A tensão em torno da reforma previdenciária, a mais importante e polêmica das mudanças promovidas até agora por Mauricio Macri, provocou grandes incidentes diante do Congresso e uma enorme confusão dentro do hemiciclo, o que levou finalmente à suspensão da sessão. Macri tinha os votos para levar a reforma adiante, mas a combinação das imagens de grande violência nas ruas, com tiros de balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo, e os empurrões e gritos no Congresso, levaram a uma derrota inesperada do Governo que tentará aprovar a reforma na próxima semana.

(…)

O debate da reforma previdenciária terminou com incidentes graves nos arredores do Congresso que deixaram feridos não só entre os manifestantes, mas também entre deputados da oposição que tinham vindo em solidariedade a eles. As investidas da polícia foram indiscriminadas e atingiram até mesmo alguns parlamentares. Pelo menos dois foram atendidos na enfermaria do Congresso, algo inédito.

A oposição exigiu aos gritos a suspensão da sessão diante dos incidentes que estavam acontecendo fora. (…) Mas o presidente, um homem de confiança de Macri, recusou-se porque acreditava ter os votos dos 129 deputados necessários, alguns deles peronistas. Alguns parlamentares kirchneristas se aproximaram da mesa do presidente e, aos empurrões, começaram a tentar impedir a abertura da sessão. (…) O paradoxo é que Macri controla o Parlamento mais do que nunca, mas parece que a oposição kirchnerista e de alguns dos principais sindicatos decidiu ir às ruas. E lá conseguiu torcer-lhe o braço, pelo menos por enquanto.

(…)

“Esse projeto prejudica os aposentados, não têm os números, não continuem passando vergonha”, clamou a peronista oposicionista Graciela Camaño. “Chega de vergonha democrática, que se suspenda a sessão”, gritou outro peronista enquanto vários cantavam o hino nacional. Do lado de dentro era possível escutar os tiros das armas dos policiais que atiravam com balas de borracha nos manifestantes, algo inédito em outros países mas que na Argentina aconteceu muitas vezes no passado. E isso aconteceu apenas algumas horas depois do encerramento da cúpula da OMC, o debute internacional de Macri, na qual quis demonstrar o retorno da Argentina ao mundo.

Fonte: EL PAÍS (leia na íntegra)

COMENTÁRIOS

Enviar

ENVIAR COMENTÁRIO

Para enviar um comentário você deve se registrar. Para isso use sua conta do Facebook.

ENTRAR COM FACEBOOK

ou se preferir use seu email pessoal

Esqueceu sua senha?

Enviar